julho 18, 2007

Duas situações do nono:
Situação 1: A classificação média dos seis testes de um aluno x durante o nono ano, a Matemática, foi 35%. Considere-se a dispersão irrelevante para este exemplo. Suponhamos que x é um aluno assíduo e pontual. Não revela problemas graves de natureza disciplinar (conversa pontualmente e, por vezes, está distraído…). Empenha-se razoavelmente nos trabalhos (sobre, por exemplo, História da Matemática) e actividades propostas com auxílio das novas tecnologias (Excel, GSP,…). Resolve com dificuldade os exercícios na sala de aula, mas é participativo e procura esclarecer as dúvidas que surgem. É evidente que não trabalha minimamente em casa. Serviços mínimos. Ligado nas aulas desligado fora das mesmas. A globalidade destas informações é transformada num número, de acordo com os pesos definidos pelo departamento de matemática. Suponhamos que a média ponderada é 47,5%! A classificação do aluno é, merecidamente, o nível 3. O professor limitou-se a cumprir os critérios estabelecidos (independentemente de concordar, ou não, com eles). É, no entanto, espectável que no exame não alcance um nível superior a dois.
Situação 2 - A classificação média dos seis testes de um aluno y durante o nono ano, a Matemática, foi 25%. É quarta vez que frequenta o nono ano. No Conselho de Turma vários professores foram seus directores de turma ao longo dos últimos anos, facto que confere ao referido Conselho uma capacidade de análise bastante bem sustentada. A nota do aluno é votada. Um dos professores opõe-se à subida do nível para 3, os restantes votam favoravelmente. Esta situação não contraria (nem podia contrariar!) a legislação em vigor. Com esta decisão os professores fizeram um favor ao aluno, à escola e à sociedade, numa perspectiva profundamente humanista inserida neste contexto e circunstância. Obviamente que é muitíssimo provável que o aluno não atinja, no exame, um nível superior a dois.

1 comentário:

Jaime disse...

É por isso que os exames não valem, nem devem valer, 100% da classificação do aluno, o que está correcto. Ou seja, o actual sistema não é mau de todo!